HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DA IGREJA
No local onde se encontra a atual Igreja da Irmandade da Santa Cruz dos Militares, havia, em 1611, um pequeno forte chamado Santa Cruz, que foi construído em 1605 pelo capitão-mor Martin de Sá, governador do Rio de Janeiro, para proteger a cidade. O forte estava totalmente arruinado em 1623, e, por isso, os oficiais e soldados da guarda da cidade do Rio de Janeiro foram encarregados de ajudar na sua reconstrução. Em 1828, com a invocação de Santa Vera Cruz, os oficiais e soldados passaram a se associar à irmandade.
Religiosos também se uniram aos oficiais, reforçando seus vínculos. Eles se reuniam em missas e celebrações, e a irmandade ficou sob a proteção de São Pedro, que é lembrado em 29 de junho.
Na Capela de Santa Vera Cruz, com a autorização da Irmandade dos Militares, eram celebradas festas em honra a São Pedro Gonçalves, com a obrigação de realizar esses eventos com total dedicação.
CONSTRUÇÃO DE UM NOVO TEMPLO
A Irmandade dos Militares, ao constatar que a primeira capela de Santa Vera Cruz estava em ruínas, decidiu construir uma nova igreja que fosse mais sólida e regular. Para isso, convocou os festeiros de São Pedro Gonçalves, a fim de discutir as despesas necessárias. No entanto, como não havia mais os responsáveis pela festa, a proposta não pôde ser realizada, e as celebrações não continuaram em honra ao seu Padroeiro.
A Irmandade dos Militares havia adquirido alguns terrenos e, por isso, pôde contar com a colaboração de devotos. Assim, foram edificados outros locais, juntamente com os festeiros de São Pedro Gonçalves, ao lado e em frente à capela.
Infelizmente, não foi possível por mais tempo manter a capela de Santa Vera Cruz. Em razão da sua antiguidade e fraca construção, a Irmandade dos Militares deliberou, em 20 de janeiro de 1780, que a mesma Irmandade tomasse a iniciativa de construir um novo Templo, e não esperasse por outros recursos; foram convocados os festeiros de São Pedro Gonçalves para deliberarem sobre a posse dos prédios que possuíam em comum, reservando os festeiros que a parte que tinham nos prédios para dedicá-la à Irmandade dos Militares, ficando assim obrigados a fazer anualmente uma festa a São Pedro Gonçalves, cuja importância teria de ser maior a cada ano.
Com a primeira festa marcada para 19 de setembro de 1780, coube a responsabilidade da organização ao brigadeiro José Custódio da Silva Santos, que atuou como Protetor, e ao Vice-Rei Luiz de Vasconcellos e Souza. Concluiu-se a data da festa dos Militares, que foi reprogramada para 28 de outubro de 1811, quando se visitou sua Alta Real e Senhor Dom João, Príncipe Regente, que houve de designar um juiz ou um outro Protetor da Irmandade, além de contar com a presença do Marechal de Campo João de Barros Pereira de Lago Soares de Figueiredo Sarmiento.